Desmedida

 

 

Você acorda um dia e saca que as coisas estão diferentes. É que no fim, você foi morar no coração de outra pessoa. Eu sempre fui assim: eu me apaixono. E ai que eu não sou de frescuras e pequenas verdades. Vou logo me mudando pro coração da pessoa. Não levo bagagem. Não faço barulho. Não ocupo muito espaço. Danço silenciosamente sob o chuveiro.

Cuido. Abro as janelas. Bato os tapetes. Compro os remédios. Cozinho. Separo as roupas. Faço cafuné. Parece que não causo estrago, mas é perceptível tudo isso. Para o bem ou para o mal. Imaginariamente, todos esses movimentos vão formando uma sinfonia. Talvez,  incômoda. Talvez. Não sei. O fato é que, muitas vezes, acordo, morando, ali, em um coração alheio, mas… Restou uma bagunça que não fiz. Um cheiro de comida requentada. As cortinas esvoaçando porque esqueceram de fechar a janela. O vento levou o que me era. Ando descalça por aquele chão ladrilhado. O frio entra pelos ossos. A nudez então se faz sentir, mas eu, eu não sou esse tipo que se cobre envergonhada. Que vejam o peito. Meu peito.Pulsando. Dilacerado. Feliz. A lágrima esquenta a face. Algo tem que me escaldar.

Sento-me atrás da porta. Nino a mim mesma pra me proteger. Cantarolo baixinho. Ao meu lado, está a pequena que balança o rabinho triste. Nós duas vamos ficar ali. Esperando. Você chega. Eu sei. E bem, você sabe, eu produzo esperança nas entranhas. Ela corre nas minhas veias e alimenta o corpo que não responde mais, por ora.

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