Do Samba

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O batuque sempre me emocionou. Não sei explicar, nasceu em mim, sem que eu soubesse motivo. Foi felicidade extrema, quando na faculdade, os meninos formaram um grupinho. Infinitas vezes, preferi o ritmo dos instrumentos deles do que o silêncio da biblioteca. Desconfio, inclusive, que me ajudava na criatividade necessária. Escutei mais Almir Guineto do que rock’n roll, na vida, muito provavelmente. Cantar a plenos pulmões, “erga a cabeça e enfrente o mal”, curou mais minhas dores existenciais, do que anos de terapia. Não se ofendam, os psicólogos. Cada pessoa funciona de um jeito, né?
A vida, por sorte, ou afinidade, sempre me deu amigos ligados à música e acompanhei rodas de samba e sambas de roda, com a mesma alegria que como doce de leite. Mas eu, tão tola, nunca entrei em uma quadra de escola de samba, em São Paulo. Ou o destino me reservava meu amor verdadeiro e eu não tinha me dado conta. O Rio me esperava e certamente, esse era mais um dos planos, que ele me reservava.
Fui ver o desfile em 2016, tão despretensiosamente – até porque o sambódromo não me era novidade – que estava com a expectativa de quem espera o pão na chapa na padaria: quase nenhuma. Mas minha amiga ao lado, já adoentada do mal que me acomete, sofria com o desfile fraco da minha então, atual e provável eterna menina dos meus olhos. Algo borbulhou por dentro e eu quis que aquilo crescesse, quis que fosse lindo, quis fazer parte. Comecei a ir para a quadra da escola e aquilo me tomou os nervos, a pele, os músculos. Coração é músculo, né?
Coração pulsa mais forte do lado da bateria. Eu garanto. Acho que cura até alguma patologia cardíaca. Me escuta. Então, eu fico lá, entorpecida com o som, o ritmo, hipnotizada pelos movimentos. Arrepio a pele, perco a voz, doem os pés, transpiro. Tem samba no meu sangue. É alguma disfunção genética. Uma predestinação emocional. Não sei, não me questione. Aquele conjunto de suor, lágrima, sorriso, ritmo e sons possuem mágica. Você quer mexer, abraçar, quer sorrir. Me deixei levar. Quando vi, já te amava. É amor novo, vão dizer. Talvez. Vai ver te amo de outra vida e você já sabia desde sempre. Ontem, andando pela ilha, comemorando o samba escolhido, entre amigos, a gente fingiu que era velha guarda, ainda contigo. Foi quase palpável. Foi quase premonição. A imagem de um bando de amigos sinceros, já velhos, unidos pela alegria e pelo batuque, gingando lentamente, por amor.
Se um dia, eu deixar de estar aí, por você, vou chorar. Te amo, União da Ilha, minha menina dos olhos.

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